Muita gente gostaria de ter a oportunidade de estudar fora durante o mestrado. É uma época boa, na minha opinião, pois nesta idade já se tem uma certa maturidade necessária para enfrentar os desafios que virão. Gostaria de fornecer aqui algumas dicas para quem escolheu a Alemanha para este tipo de aventura. Infelizmente, apenas posso fornecer informações relativas a minha área: engenharia mecânica. Não sei se para outros cursos funcionaria diferente...
Existem dois caminhos para se estudar fora: tendo uma conexão com alguma universidade brasileira, ou vindo por conta própria.
O primeiro caminho é o mais fácil. O aluno já inscrito em algum programa de mestrado no Brasil, em alguma das universidades conveniadas com alguma universidade alemã, pode vir participar de intercâmbios desde que o orientador estabeleça algum projeto de cooperação, ou pesquisa em conjunto com os pesquisadores desejados. Eu digo que este caminho é o mais fácil porque o aluno, quando membro de uma universidade conveniada, não tem grandes problemas com documentação, etc...
E quais universidades são conveniadas? Eu sei que a UNICAMP e a USP possuem convênios com a Universidades Técnicas alemãs. Mas podem existir outros convênios que eu não conheça... O aluno interessado deve conversar sobre isso com seu orientador e com o setor de relações exteriores da sua universidade.
Com relação a bolsas, o aluno que vem por uma universidade conveniada, ainda no Brasil, pode aplicar por uma bolsa do projeto
ERASMUS,
DAAD, ou então os velhos CAPES; CNPQ ou FAPESP. Aí é como jogar bingo. Pode ser que se consiga a bolsa, pode ser que não. Depende do projeto, do orientador, das suas publicações, etc...
O segundo caminho, mesmo que mais complicado, é na minha opinião o melhor. É mais complicado vir estudar sem estar conveniado a alguma universidade no seu país de origem porque muitas vezes, os departamentos por aqui solicitam comprovantes de verificação da instituição que o aluno obteve o seu degrau anterior. É necessário se traduzir o diploma e o histórico escolar. Dependendo a faculdade que foi cursada no Brasil, a universidade alemã também solicita um certificado internacional que pode ser obtido em escritórios como o
WES (
Wolrd Education Service) de New York, confirmando que a sua faculdade no Brasil realmente existe, e que tudo o que você aprendeu por lá é equivalente ao que é ensinado por aqui.
Se é tao complicado assim, porque eu digo que é melhor? Para começar, se você cursa o mestrado integralmente por aqui e consegue uma bolsa alemã, o valor da bolsa alemã é superior ($$$). Segundo, os melhores projetos não são dados para estudantes que fazem o chamado "sanduiche". Um aluno que vem com vínculo no exterior precisa prestar contas a sua instituição de origem e os interesses ficam meio divididos. Sendo assim, alguns professores evitam alunos que não são 100% seus, porque eles acabam precisando de mais orientação e tempo em comparação aos outros.
E como se consegue uma bolsa alemã? Você primeiro precisa escolher sua área de interesse. Entre no site da faculdade, localize o departamento que trabalha em tal área de pesquisa, o orientador que lhe agrada e escreva um e-mail se apresentando, informando dos seus interesses. Envie seu currículo em anexo (nos moldes europeus e em inglês). Aí as negociações começarão. Bolsas por aqui tem para quem precise. Para conseguir uma, ter publicações e experiencia de pesquisa no ramo ajuda muito (a tal da iniciação cientifica). Pode ser que o professor solicite uma entrevista (em pessoa ou por telefone), ou período de experiencia (3 meses) na Alemanha. Nessas horas, falar alemão, ou ter um inglês fluente é essencial!
Seja qual for a sua escolha, estudar fora envolve a superação de uma série de desafios que vão aparecer logo nos primeiros dias. Antes de tudo é necessário se ter muita coragem, determinação e uma certa dose de paciência...
Pretendo nos próximos dias escrever sobre os custos de vida para estudantes por aqui...